Quinta-feira, Julho 17, 2008
Adiós, Blogger Br!
Então, people, depois de cinco anos, tô mudando de mala e cuia pro Wordpress! Sintam-se à vontade pra entrar na nova casa:
http://taisando.wordpress.com/
http://taisando.wordpress.com/
http://taisando.wordpress.com/
Daqui, só ficarão os arquivos e as boas lembranças! :)
escreveu a Taís às 16:28.
//// hein? |
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Terça-feira, Julho 15, 2008
Ah, as férias!
Finalmente, depois desse semestre tãããão chato, de matérias chatas, de professores chatos, as férias chegaram! E é tão bom acordar às nove, ler qualquer bobagem até às onze, almoçar e vir pro estágio. Até o estágio tem ficado menos pior nesses dias. Mesmo! E depois voltar pra casa à noite, resolver fazer qualquer outra bobagem, assistir um filminho debaixo de dois edredons, e dormir até a hora que der vontade.
Tá certo que não são as férias mais convencionais - na realidade, tenho me esforçado muito pra não pensar que não vou pra Salvador por causa do estágio que eu não quero perder. Não quero pensar porque sei que é melhor pra mim ficar e ganhar um dinheirinho e a minha experência, a despeito da vontade de ir pra casa. Então, vamos nos divertir com o que dá, né, galera? Se bobear, rola até um bronze no Parque da Água Mineral! Quem precisa de praia? Fora as noites de sinuca, de bar ou de tagarelice pura numa casa qualquer! O que não vale é ficar em casa enfurnada, pensando na saudade que eu sinto!
A verdade é o que diz meu vizinho de mesa:
A gente até que é feliz, mas que faz um esforço pra isso, isso faz!
escreveu a Taís às 13:29.
//// hein? |
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Domingo, Julho 13, 2008
Pra ser Miss Universo...
É uma dessas tardes de domingo que a gente não tem nada pra fazer. Aliás, tem. Precisa se controlar pra não comer o resto do estrogonofe do almoço e vem pro computador tentar se ocupar. Pô, não tem ninguém no MSN. E as notícias... olha, a competição de Miss Universo é dia catorze de julho. Ok, eu tô aqui sem fazer nada mesmo.
Bom, todo mundo sabe que esse é um mundo de mulheres que não tem mais esse tipo de tensão. Somos mulheres modernas, não temos mais essas preocupações com o corpo e tal, afinal somos totalmente desprendidas dessas coisas de mulherzinha, né? Agora somos seres preocupados com o desenvolvimento do intelecto e o sucesso profissional. O que torna esses concursos eventos fadados ao erro. Claro. Óbvio. Fato.
Ok.
Mas, como assim, Vanessa?
Então, vamos lá. De acordo com a foto, pra ser Miss Universo, você precisa extrair as três últimas costelas. Deve manter uma dieta de cem calorias por dia, e depois de ingeri-las, ir ao banheiro e colocar o dedo na garganta. Manter um sorriso colado na cara, ou então aquele safadinho da versão esquerda. Não pode medir mais de quinze centímetros de perfil. E o silicone, claro, 300 ml em cada peito, pra dar aquele contraste vistoso. Você é uma mulher dotada de profunda consciência social, por isso se preocupa com a paz mundial e com a fome na África. É bom fazer um curso superior também, afinal, as mulheres de hoje em dia não só pensam no físico, né, filhota? Mas depois que se formar, é academia, plástica e controlar a fome. A sua, é claro.
Ih, Sri Lanka, acho que não vai rolar nem pra você e nem pra mim. Pecamos no quesito seresquelética. Ainda mais depois de eu ficar aqui pensando sobre o padrão estético deturpado que nós temos e tal, e acabar atacando o caldeirão de estrogonofe.
É por isso que eu continuo na vida acadêmica. É ingrata, mas não enxerga padrões estéticos. Afinal, somos seres dotados de neutralidade e cientificidade em todos os momentos. Cientistas não são nada dados a essas coisas mundanas e fúteis. Imagina, que absurdo. Duvido que Weber ou Einstein tenham olhado pra uma bunda com volúpia na vida deles. Nunquinha.
14/07/2008 - Depois de ler a Superinteressante, meu post ficou obsoleto. Aparentemente, apenas no país de peculiaridades culturais da Mulher Melancia os concursos para coroar a Miss Universo não fazem sucesso. No resto do mundo, um em cada dez habitantes do planeta assistem a coroação. Pasmem. o.O...
escreveu a Taís às 17:06.
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Quinta-feira, Julho 10, 2008
Depois de três quilos de picanha, três caixas de cerveja, dois litros de vodka, duas garrafas de vinho, duzentos e cinquenta salgadinhos, cento e vinte docinhos, um bolo recheado, doze amigos, três chateações, três rodadas de Imagem e Ação, um cuscuz e uma farofa de ovo, eu realmente fiz vinte e um anos. :D
E fim de semana tem ressaca do aniversário!
Mesmo com todo o emblema, todo o problema
Todo o sistema, todo Ipanema
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando essa gema!
escreveu a Taís às 14:06.
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Sexta-feira, Julho 04, 2008
Quarta-feira eu fiz vinte e um anos.
Foi o aniversário mais rápido da minha vida. Um dia tão cotidiano. Fora os abraços de aniversário, e-mails e recados, uma ida ao cinema e até uma surpresa boa no trabalho, o dia passou muito rapidinho.
Acho que daqui pra frente é assim, né?
Mas eu não me conformo. E tem boemia no sábado. :P
escreveu a Taís às 14:50.
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Quinta-feira, Junho 26, 2008
E no fim das contas, não foi tão ruim. Hoje foi dia de interpretar a tia Assembléia da peça
Viúva, porém honesta, do Nelson Rodrigues. Coque, saia comprida, blusa de botão e bolero de tricô e, claro, interjeições moralistas e afetação total. É, eu ainda sou uma aluna
desesperada responsável, e que ainda faz trabalhos
nada sociológicos artísticos pra ganhar uma notinha. E sabe o que é mais engraçado? Foi até bom, melhor do que passar a madrugada fazendo um trabalho final de vinte páginas. Depois de algumas interjeições, estava tudo acabado. :) Talvez role no youtube, aí eu mostro pra vocês os trinta e nove sociólogo-atores.
E querem uma dica?
Mangai. Lugar lindo e comida sensacional. É
A Porteira de Brasília.
escreveu a Taís às 15:10.
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Segunda-feira, Junho 23, 2008
Todos os finais de semana deviam ser como esse. E ponto.
Mas que essa vida boêmia vai acabar com a gente, isso vai... ainda mais em pleno final de semestre, né, galera?
Mas cara de pau pouca é bobagem. E é bom que seja sempre assim.
(:
escreveu a Taís às 17:55.
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Quinta-feira, Junho 19, 2008
A tal pós-modernidade líquida
O dia estava fadado à irritação. E quando você entra na aula da noite, rezando pra que o dia termine e dê fim aquela chateação, seu professor simplesmente diz pra você: "E aí, preparados pra aula no bar?". E todo mundo sorri, feliz e contente, levanta das cadeiras e vai simbora.
Mas, peraí, Beto. Que coisa pós-moderna é essa? Aula no bar? Não me parece muito professoral. Mas, eu, logo eu que deteeeeesto um boteco com uma galera animada, que não ia me opôr, né. E, fingindo que não tinha saído da aula anterior mais cedo e perdido o convite, tratei de arrumar uma carona (num dos milhares de carros de alunos da UnB, mas isso fica pra outro post) e seguir pro PDS.
E lá eu entendi que deve ser a tal modernidade líquida, meninos. Porque as coisas fluíram, como cerveja gelada no copo, no meio de um monte de gente que não se conhecia. E foi tão divertido! Me senti como em Salvador, com todos os meus amigos sem juízo - daqueles que sentam num bar, bebem e falam besteira a noite inteira, e, se bobear, o resto do outro dia também. E falamos sem pensar, de epistemologia das ciências sociais à sexo com halls preta. Na verdade, antes que vocês comecem a achar os cientistas sociais loucos e imorais - caham! - não é que sejamos tão desprendidos. O álcool dá aquela ajudada, e logo as feras estão soltas. E, no fim, quando todo mundo estiver bêbado, a gente só vai querer falar da halls preta. E eu vou esquecer daquela prova horrível do MPT que acabou com o meu dia!
E viva à boemia! Y Latino America - menos a Argentina, claro!
escreveu a Taís às 14:08.
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Segunda-feira, Junho 16, 2008
Conversa de elevador
O elevador chega no quarto andar. Lá vem ela, meio sem graça.
- Então, pessoas, eu vim aqui, fiz essa firula toda de layout novo, perfil novo, blog novo. Mas, do jeito que anda meu tempo e minha paciência, o post inaugural não saiu. Agora o glamour da inauguração passou. Então, vamos esquecer das preliminares e partir pro ato.
Aperta as mãos e a testa sua.
- Hum...
Assobia.
- Er, então...
Dá aquele sorriso amarelo.
- Não que eu tenha assim muito assunto ou uma idéia batatal de post, sabe?
Faz aquela expressão de "Vocês me compreendem, né?"
- É que o layout tá aqui tão fresquinho, tão bonitinho.
Passa o pé no chão.
- Nham.
Enrola um cacho do cabelo.
- Vocês viram o dia hoje? O céu limpinho, a brisa seca, o friozinho.
Silêncio.
- Hum, não viram? Ah, é. Ninguém mais mora em Brasília.
Mais um sorriso amarelo.
- Hoje eu tô aqui estudando um monte de coisas, sabe... e fazendo um monte de planilhas não muito excitantes.
É quando o elevador dos blogs chega ao Térreo.
- Er, então, tô muito ocupada e preciso ir!
Solta um beijinho.
- Tchau e se cuidem, hein?!
Praticamente corre porta afora.
Sem vergonha. ¬¬
escreveu a Taís às 16:59.
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Terça-feira, Maio 27, 2008
Brasília
No dia 21 de abril, a capital federal completou 48 anos. Dois dias antes, eu e a amarela completávamos dois anos de Brasília. Já faz tanto tempo! Mas eu posso me lembrar como se tivesse acontecido ontem...
No dia 18 de abril de 2006, eu ainda consigo ver as duas meninas cheias de malas, chegando numa rodoviária suja e cinza. Enxergo aqueles pares de olhos assustados e, porque não dizer, muito decepcionados. Que capital horrorosa era aquela? Nosso primeiro contato com os nativos também não foi dos melhores - um carregador que levaria nossas malas em seu carrinho por uns 200 metros, e que queria cobrar R$20,00 para tal. Bom, acho que foi aí que percebemos como teríamos que nos virar sozinhas a partir daquele momento. Sem mães pra berrar na cara dele e dizer que era absurdo - ou muito menos tirar 20 reais da carteira e pagar, entre resmungos. Éramos nós que tínhamos que decidir... E acabamos carregando as malas em algumas viagens, ultrajadas. Quando a nossa carona chegou, pudemos dar uma olhada mais especial naquela cidade que conhecemos nas provas de transferência. Agora a partir de outra perspectiva - aquela era nossa nova casa. Aqueles prédios meio iguais, os extensos gramados, as árvores frondosas, o turbilhão de carros e o que mais doía: as pessoas um tanto quanto frias. Eu chorei no primeiro dia. Na primeira noite fria, num colchão velho de pensionato que cheirava a velharia. Como é que eu podia viver longe de todo mundo, naquela cidade sem graça? Mas a Universidade de Brasília viria, e na manhã seguinte eu tentava reafirmar todas as coisas que tinham feito eu me mudar. E sem a ajuda da amarela e do namorado, eu não sei se teria ficado.
Já faz dois anos. E tanta coisa aconteceu. Tanta, tanta, tanta coisa, que não caberia em um zilhão de posts. Eu cresci muito nesses dois anos. Viver fora de casa, ainda que difícil no início, é muito melhor depois.
Mas, isso é história repetida. O que eu percebi de novo nesses dias - e vim fazer um post rápido, antes que essa impressão se dissipe - foi a minha nova concepção de Brasília.
Eu já não acho a capital uma cidade entediante e sem graça (pasmem!). E já nem passo o ano esperando chegarem as férias para voltar para Salvador, desesperada - ok, só um pouquinho. Pasmem, meus amigos, porque eu nunca achei que esse dia chegaria. Eu até gosto da capital federal. Inclusive já tenho lugares, pessoas, e coisas das quais eu gosto muito e que só posso ter aqui. Dá até uma saudade quando eu vou embora. Talvez eu esteja me tornando um pouco candanga, até.
Eu já tenho coisinhas preferidas em Brasília. Como os bares, os lugares pra ir de noite e ficar de bobeira a noite toda, falando bobagem. Como a Sinuca da 203 Norte, o Bedrock do outro lado da rua, o Acarajé da Rosa - onde o acarajé é bom de verdade -, o Godofredo! É claro que Silvinha continua tendo seu lugar no meu coração, afinal de contas, boteco melhor nunca haverá! Mas tem umas coisas que só aqui tem significado... como os shows da Esplanada, o futebol de disco do Pátio Brasil, a sorveteria na Asa Sul. A delicatessen de Águas Claras, o salgado da padaria, a Espoleto. Segunda-feira no cinema, Friends em casa, a locadora da 408 Norte. O céu sempre bonito, o frio bem cedinho, o casaco em dias de sol. As farras na casa de Ismael e todas as coisas que me lembram Uibaí quando vou até lá - é a hora de voltar a ter 16 anos, e voltar a ter prazer em fazer uma trilha e ver uma linda cachoeira depois (a água tava gelada, só consegui ficar contemplando!). Noites de Imagem e Ação, aniversários improvisados, comidas que só tem sentido aqui - estrogonofe, mandioca, feijão e bolo de milho. A secura (quando chega abril e as chuvas vão embora e a gente pensa "agora só em outubro!"), o cabelo calminho, a garrafinha d'água. A beleza da UnB e o prazer de estudar lá.
São muitas coisas, ainda que pequeninas, que vão me dando mais prazer de viver aqui. Desculpa o tom ainda tímido do "prazer", mas eu já acho uma coisa sensacional falar de tantas coisas legais daqui!
escreveu a Taís às 18:07.
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Sábado, Maio 24, 2008
São os melhores
Eu lembro de uma vez ter lido no blog de Bia: "Eu não tenho melhores amigos, os meus amigos são os melhores!". Esquecendo que isso é filosofia de botequim da minha amiga, eu realmente fiquei pensando nisso hoje. Hoje à noite, no fim de um feriado em Salvador, com as pessoas mais legais do planeta. Porque os meus amigos são os melhores, sim.
São os melhores porque são, velho. São capazes de organizar uma festa, mentir e inventar deliberadamente, filar aula e turno do trabalho. Saem de onde estiverem só pra me ver, porque eu pedi - às vezes, sem que eu peça também. Passam num shopping lotado pra me dar um abraço, vão da Pituba pra Brotas às onze da noite pra se despedirem de mim. Perdoam todas as minhas bobagens, me fazem sentir linda e querida, prestam atenção nas minhas histórias bobas. Os meus amigos me colocam no colo pra que eu possa chorar todas as pitangas - e depois, ainda fazem com que eu me anime. Riem de mim enquanto eu faço drama, me emprestam o ombro pra dormir, passam a madrugada em claro pra tagarelar tudo que a gente conseguir. Cuidam da minha bebedeira, do meu sono, do meu chocolate branco e da Ruffles. E fazem tanto mais...
Os meus amigos são verdadeiramente os melhores.
Obrigada, sempre. Sempre, sempre, sempre. Por todo zelo e carinho, e por tanta alegria também. Eu amo vocês!
Mas a verdade é que vocês me estragam. :P
E estarão pra sempre nela:
Não chore ainda não, que eu tenho um violão
E nós vamos cantar
Felicidade aqui pode passar e ouvir
E se ela for de samba há de querer ficar (...)
Não chore ainda não, que eu tenho uma razão
Pra você não chorar
Amiga, me perdoa, se eu insisto à toa
Mas a vida é boa para quem cantar (...)
Não chore ainda não, que eu tenho a impressão
Que o samba vem aí
É um samba tão imenso que eu às vezes penso
Que o próprio tempo vai parar pra ouvir (...)
escreveu a Taís às 23:37.
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Segunda-feira, Maio 05, 2008
C'est la vie...
Agora eu acordo de manhã bem cedinho. Tomo um banho bem demorado, passo a roupa de mocinha e pinto o rosto. Assisto aulas que eu já não quero assistir, e pego um ônibus quando elas, finalmente, acabam. Vou apertada no UnB, e quase sempre o motorista esquece do meu ponto. Desço, seco o rosto, com delicadeza, pra não estragar a maquiagem, e dou passos largos em direção ao ministério. Entro na sala vazia, deixo a minha pasta. Dou aquela enrolada pro restaurante esvaziar. E subo pro nono andar. Almoço sozinha, num lugar barulhento, e como gelatina depois - é grátis e tem colágeno. Reclamo pra mim mesma sobre as calças folgadas, e volto pra sala. Ainda vazia. Entro na internet e não faço muita coisa. Leio uns pedaços de texto... Quando o meu chefe chega, falo sobre o trabalho do dia anterior, e ele me pede pra repeti-lo. Como não tem muito mais coisa pra fazer e eu não aguento mais pesquisar, venho pro meu blog escrever bobagens.
Pelo menos eu ganho uma grana no fim do mês. E a tal da experiência...
escreveu a Taís às 16:42.
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Terça-feira, Abril 22, 2008
Perdões, mas eu sou mundana
Eu tenho remela pela manhã. Acordo com o cabelo bagunçado, olheiras e um pouco de mal-humor. Eu reclamo da vida logo cedo, dos meus professores ruins, de falta de grana, de brigas que eu tive. Eu brigo. Grito, esbravejo, emburro, choro. Choro de soluçar. Eu também xingo. Dos palavrões mais escabrosos, como também um simples "porra". Eu tenho a boca suja, que uso quando estou com raiva. Eu tenho raiva. Tenho vontade de bater nas pessoas, às vezes. Tenho vontade também de pedir pra algumas pessoas calarem a boca. Principalmente quando elas falam as maiores besteiras nas horas mais impróprias. Eu falo mal dos outros, também. Falo mal das pessoas na televisão, na rua. Falo mal das pessoas que eu não gosto. Eu tenho preguiça, também. Às vezes escuto música brega e como porcaria na hora do almoço. Eu bebo, fico piegas e jogo fora todas as minhas cartas de amor. Eu já quis dar na primeira ficada. E dei em cima de alguns caras que eu queria ficar. E outras coisas horríveis que todos os manuais de menininhas ideais dizem que a gente não deve fazer.
Mas é como disse a Zélia Duncan:
Quem se diz muito perfeito, na certa encontrou um jeito insosso pra não ser de carne e osso. Todo mundo tem, sente, ou já fez todas essas coisas que eu assumi no parágrafo anterior. O que eu acredito que as pessoas ditas "elevadas" fazem é o que diz meu polêmico professor de Teorias da Socialização. Elas enguiam essas vontades - em outras palavras, reprimem seus desejos - em alguns casos, negam e realizam as vontades, nos becos escuros. E desculpa, gente reprimida e hipócrita é a pior coisa que tem. Deus que me livre.
Eu sou normal. E não tenho nem um pouco de vergonha disso.
escreveu a Taís às 15:06.
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Quinta-feira, Abril 17, 2008
Depois de ir às compras, ela se vestiu.
Colocou uma das blusas de botão de cor branca, a calça jeans de strech, as sapatilhas de verniz e lacinho de veludo, e a bolsa que lembrava aquelas usadas pela mãe. Duas presilhas no cabelo cacheado, um batom simples, pó compacto, um pouco de rímel e lápis.
Olhou-se no espelho. Achou tudo tão estranho, se achou tão perua, mas... estava se achando linda. E, ah, que mané estagiária! Ela podia ser era a chefe!
E, tenho certeza, os Ministérios nunca viram uma estagiária tãããão metida.
\o/
escreveu a Taís às 16:56.
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Quinta-feira, Abril 03, 2008
Quando decidi que queria ser cientista social, eu usava uma touquinha de lã e trancinhas no cabelo. Me interessava por movimento estudantil, tinha paixões platônicas, e acreditava piamente que poderia mudar o mundo - vale enfatizar o "piamente". Usava blusas de ativista, bradava contra o aquecimento global e a extinção das baleias. Era cheia de discursos feministas e socialistas, e comprava uma briga séria quando se falava de política. Mamãe se perguntava onde teria ido parar aquela menina tão calminha, e eu só queria estar contra a ordem de um mundo cão como o nosso. Se vocês querem saber, eu era uma chata. Uma antipática, mesmo. Achava todo mundo infantil e fútil, e me interessava pelos cabeludos e complicados - vale acrescentar canalhas, também. Afinal, se engana quem pensa que os ativistas são namorados dedicados e fiéis. Na maioria das vezes, é tudo ao contrário. Sim, eu fazia o tipinho cult. E sofria porque não tinha um par de óculos para complementar o look sabidona. Mas escutava MPB e desprezava o pagode (que, vale lembrar, eu adorava à anos atrás) pra compensar essa "deficiência" ocular.
Quando eu entrei na faculdade, senti que tinha me encontrado. Queríamos corromper a ordem, o capitalismo selvagem, o preconceito e as injustiças. Tínhamos grupos de feministas, tínhamos o movimento negro, os socialistas de carteirinhas. Era o reduto de rebeldes mais legais que já se viu. Artistas, maconheiros, marxistas, ou agregados indecisos, como eu. Mas, contra qualquer tipo de expectativa, em algum momento do primeiro semestre, eu me cansei de tanto engajamento e comecei a achar todo mundo maluco. Sabe, extremista demais? Inclusive moi, né? Era uma feminista-socialista-negra-xiita, quase. Vai ser chata assim lá longe. Foi quando eu comecei a perceber que eu realmente não tinha que ser tão afetada. Que todo aquele engajamento, além de cansativo bagarai, não levava a muita coisa, sabe.
Bom, foi aí que começou o desencantamento do mundo, como diria querido Weber. Foi aí que as ideologias foram caindo por terra, e o que eu devia fazer sem elas? Foi difícil, velho. Difícil encarar que as coisas que a gente acredita tão seriamente não são de todo verdade. E eu não vou mentir pra vocês, não. Eu tinha feito Antropologia pra mudar o mundo e, de repente, me mostraram que talvez isso não fosse possível, não tão seriamente como eu acreditava. E ainda tinha o fato de que o curso era ruim. Os professores eram bem ruins, salvo algumas exceções, e em pouco tempo eu estava prestes a sucumbir aos desejos de mamãe de ter uma filha engenheira, ou arquiteta, ou qualquer alternativa que desse algum dinheirinho.
Mas, veio a UnB. Veio mudança de cidade, de universidade, de gente. E eu comecei a gostar do curso de novo. De um jeito diferente. Com expectativas outras que não aquelas da caloura de 2005. Eu voltei a gostar do curso porque realmente percebi que era de gente que eu queria tratar! De movimento social, de necessidades da sociedade, de entender - nem que seja um pouco - do seu funcionamento, de suas particularidades, de seus indivíduos. E que isso me enche os olhos, me dá prazer de fazer.
Bom, hoje? Hoje eu não uso mais touquinha de lã e nem camisas de ativista. Hoje eu gosto de roupas mais arrumadinhas, fujo de movimento estudantil, prefiro ficar longe do Greenpeace. Hoje sou consumista, quero um carro, quero um estágio em qualquer coisa. Ando menos piegas - mas ainda falo mal de todo mundo. Hoje eu namoro com o genro que mamãe pediu à Deus, responsável, empregado e de cabelos curtos - bom, e precisa dizer que amo demais o namorado? Não, porque senão ele fica ainda mais metido. Hoje eu quero um emprego e um salário no fim do mês, como todo mundo. Ainda que esse trabalho seja com Sociologia, que é o que eu mais quero, meus amigos não ficariam orgulhosos de mim, não. Diriam que eu fiquei velha e reacionária, diante de todas essas mudanças. Pode até ser. Mas eu não acho isso, não. Acho que, por mais que eu tente negar, ainda tem um pouquinho da Taís idealista em mim. Isso porque eu ainda acredito em muitas coisas em que ela acreditava. Eu ainda quero ser feminista, mas sem querer criar uma mátria sem homens, usar apenas seu esperma, linchá-los nas ruas, ou algum absurdo do gênero (olha o trocadilho!). Eu quero me afirmar como negra e defender uma causa, mas não quero fazer isso utilizando os mesmos preconceitos que uma sociedade preconceituosa usa contra mim. Quero igualdade de condições para as raças. Eu também quero ser socialista, mas usando seus ideais de uma sociedade mais igual e mais justa. E não ter preconceitos irracionais contra qualquer projeto capitalista, por exemplo, simplesmente por serem capitalistas. E também quero ser ambientalista e defender a integridade do ambiente, mas sem ter que pra isso propôr que voltemos para a era pré-industrial. Quero ser tudo isso, sem ser utópica. Quero ser real, quero defender essas coisas sem esquecer da realidade e das possibilidades. Porque é isso que os extremistas fazem.
Ok, acabei de sair do armário. o.O
escreveu a Taís às 15:34.
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